O caos ocorrido na última terça (21) no Metrô era, como diz o ditado, a cobra que morde o próprio dono. A situação do transporte em São Paulo tem gerado dores de cabeça às administrações municipais e estaduais há tempos. Uma deles foi a cratera aberta na região de Pinheiros, que causou a morte de sete pessoas além de destruir residências e gerar atrasos na obra. A sarna para se coçar nasceu como objeto de campanha eleitoral - como diversas outras que grassam por aí.
Durante a candidatura para o Governo de São Paulo em 2006, a atual gestão paulista propôs a integração entre Metrô, ônibus e os trens da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) para quem utilizava o bilhete único, adotado nos coletivos municipais. A praticidade e a economia indiscutíveis da interligação provocaram evidente aumento de usuários.
Os passageiros da Linha 3 - vermelha, a que sofreu problemas, retificando, a que casou transtorno a milhares de paulistanos, está sobrecarregada há anos. O programa Expansão São Paulo, cuja meta é ampliar a malha metroviária, contempla a criação de novas estações, dentre outras melhorias. Porém, o trajeto não será atendido apesar de ter completado trinta anos e atingir lotação em quase todos os horários do dia e da noite, principalmente no sentido da zona leste (Corinthians-Itaquera).
Para conseguir desafogar a procura, o Governo de São Paulo criou o Embarque Melhor em algumas estações. Segundo uma pesquisa divulgada pelo Metrô, a operação é aprovada por 80% dos 355 usuários entrevistados dentre um número de mais de 1,4 milhão que utilizam a linha diariamente. O Metrô foi alvo de sabotagem, como alguém disse em um microblog na Internet. Faltou, entretanto, acrescentar que ela vem acontecendo sucessivamente pelas mãos das últimas gestões estaduais a prejuízo da população.
Texto publicado em Jornalismo Político em 22/09/2010.


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