Percorrido pouco mais de um século da promulgação da Lei Áurea, sobre o estado brasileiro ainda resiste uma pesada dívida a provocar estragos inomináveis para a população proveniente da matriz africana. O abismo social entre negros e brancos permanece espantoso e chocante.
A dicotomia de pele clara e pele escura é aparente até em índices vis como o de violência. Segundo o Mapa da Violência 2010 divulgado neste semestre, a margem de risco de um jovem negro ser assassinado é 130% maior do que a de um branco e condena 107,6% mais mães e famílias de negros ao sofrimento do que a de brancos.
É o prisma do embranquecimento da população nacional, algo incutido no imaginário do povo, aliás, que a cria a ferramenta utilizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como a listagem de cinco opções de grupo étnicos (branco, preto, pardo, amarelo ou indígena) para que os próprios entrevistados definam sua cor.
Absorvidos pela designação de pardos, aqueles que foram nomeados de mulatos e cafuzos nos livros de História, irmanam, entretanto, a pigmentação mais escura e o traço visível do escravo negro. São eles - negros e pardos - que contabilizam os três dentre cada quatro trabalhadores libertados de situações de escravidão nos dias de hoje.
Na Grande São Paulo, o trabalhador negro (preto e pardo) ganha cerca de metade do que o não-negro (branco e amarelo). Segundo a Fundação Seade e Dieese, são R$ 4,36 por hora, em média, contra R$ 7,98. O preconceito subjaz nas entranhas da sociedade e exala seu fétido odor com a segregação que alija pessoas negras do desenvolvimento do País.
A Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) referente ao ano passado constatou que os declarados brancos gastaram o dobro dos declarados pretos. Para famílias brancas, o poder de compra atingiu o montante de R$ 3.371,27. Para as pardas, o valor chegou a R$ 1.885,41. Já as pretas a soma foi de R$ 1.783,64.
"As pessoas sabem, sim, quem é negro e quem é branco. Só se esquecem quando é hora de usufruir dos mesmos direitos", disse a diretora da ONG Ceert (Centro de Estudos das Relações do Trabalho e da Desigualdade) Maria Aparecida Bento. Difícil tirar a razão desta coletânea de fatos e discutir igualdade à margem destes fatores é demagogia e simplismo.
Texto publicado em Jornalismo Político em 14/07/2010.
A dicotomia de pele clara e pele escura é aparente até em índices vis como o de violência. Segundo o Mapa da Violência 2010 divulgado neste semestre, a margem de risco de um jovem negro ser assassinado é 130% maior do que a de um branco e condena 107,6% mais mães e famílias de negros ao sofrimento do que a de brancos.
É o prisma do embranquecimento da população nacional, algo incutido no imaginário do povo, aliás, que a cria a ferramenta utilizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como a listagem de cinco opções de grupo étnicos (branco, preto, pardo, amarelo ou indígena) para que os próprios entrevistados definam sua cor.
Absorvidos pela designação de pardos, aqueles que foram nomeados de mulatos e cafuzos nos livros de História, irmanam, entretanto, a pigmentação mais escura e o traço visível do escravo negro. São eles - negros e pardos - que contabilizam os três dentre cada quatro trabalhadores libertados de situações de escravidão nos dias de hoje.
Na Grande São Paulo, o trabalhador negro (preto e pardo) ganha cerca de metade do que o não-negro (branco e amarelo). Segundo a Fundação Seade e Dieese, são R$ 4,36 por hora, em média, contra R$ 7,98. O preconceito subjaz nas entranhas da sociedade e exala seu fétido odor com a segregação que alija pessoas negras do desenvolvimento do País.
A Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) referente ao ano passado constatou que os declarados brancos gastaram o dobro dos declarados pretos. Para famílias brancas, o poder de compra atingiu o montante de R$ 3.371,27. Para as pardas, o valor chegou a R$ 1.885,41. Já as pretas a soma foi de R$ 1.783,64.
"As pessoas sabem, sim, quem é negro e quem é branco. Só se esquecem quando é hora de usufruir dos mesmos direitos", disse a diretora da ONG Ceert (Centro de Estudos das Relações do Trabalho e da Desigualdade) Maria Aparecida Bento. Difícil tirar a razão desta coletânea de fatos e discutir igualdade à margem destes fatores é demagogia e simplismo.
Texto publicado em Jornalismo Político em 14/07/2010.


1 reflexões:
Temos muito a evoluir meu amigo, muito!
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