terça-feira, 11 de maio de 2010

Especulação sobre Lula se tornar representante na ONU continua

Prosseguem as suposições de o Presidente brasileiro vir a exercer uma função de intermediário entre a América Latina e a Organização

Após décadas na vida pública, o ex-metalúrgico e ex-sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva atingiu o ponto mais alto da política nacional, a Presidência da República. Próximo do término de seu segundo mandato, a especulação de que venha a obter um cargo na Organização das Nações Unidas (ONU) tem aumentado. Um representante do Ministério das Relações Exteriores, que não quis ser identificado, disse que o assunto tem sido discutido em conversas no Itamaraty, porém "qualquer palavra oficial agora pode interferir e afetar as negociações", alegou.

No comando do Palácio do Planalto desde 2002, Lula tem conquistado números significativos de aprovação popular em território nacional e a aceitação da figura dele se estende a outros países. "É bastante provável que ele consiga a vaga como representante da ONU na América Latina, pois ele tem boa imagem internacional e bom relacionamento na região latino-americana", argumenta a Doutora em Ciências Políticas e professora do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP), Janina Onuki.

Um indicador do fenômeno da popularidade do brasileiro é a frase do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, dita na reunião do grupo dos países que integram o G-20. Na ocasião, Obama disse que Lula era "o cara" e o "político mais popular da Terra". Essa presença carismática é um dos elementos que o tornam uma opção ante o bom trânsito que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também possui.

Lula lá?

"É inegável, do ponto de vista político, o carisma do Presidente Lula, isso seria um primeiro ponto. O segundo é a conjuntura internacional favorável, sob o prisma da estabilidade e da credibilidade das organizações internacionais", observa Janina. Para a cientista política, Lula além de muito bem visto na ONU é um interlocutor na América Latina.

Na análise da Doutora em Economia e também professora do Instituto de Relações Internacionais da USP, Maria Antonieta Tedesco, a presença brasileira em organizações internacionais é interessante. "As posições a serem defendidas pelo futuro ex-presidente podem ajudar na agenda diplomática brasileira", diz.

Os discursos realizados nas reuniões internacionais da organização demonstram a ambição da Presidência em conseguir uma cadeira efetiva para o País no Conselho de Segurança da entidade e talvez ser uma voz latina dos países emergentes. "Ele teria um projeto próprio, não dependeria necessariamente de quem venha a sucedê-lo, não importa quem seja. Fica a dúvida de quais seriam as posições que Lula defenderia", expõe a doutora em Economia sobre a presença de Lula em uma secretária da ONU.

Para a professora de Ciências Políticas Janina existem diversos pontos positivos se uma cadeira como representante do País ou mesmo da América Latina ficar sob a responsabilidade de Lula. "A imagem internacional e a capacidade de liderança do Presidente também ajudaria a ampliar a visibilidade da Organização. Lula é visto como um cooperador e pacifista, itens fundamentais na ONU", destaca.

Disponível em O Estado RJ na data de 10/05/10.

2 reflexões:

Fabis Matrone disse...

Pois é meu nobre Francisco...

Ele é o que mais soube vender o Brasil, ao menos aos olhos estrangeiros!


Como tem passado?

Anônimo disse...

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