quinta-feira, 29 de abril de 2010

Recordar é viver - até para a política

Na noite de hoje (29), o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, fez seu último discurso para o Dia do Trabalho como representante da nação, segundo as próprias palavras dele. Lula ressaltou as várias ações realizadas sob a assinatura de seu governo, um óbvio e mero lembrete aos eleitores do que estará em jogo nas urnas em outubro deste ano. Recordou os componentes do carro-chefe da pré-campanha da ex-ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a pré-candidata do partido petista.

Lula apresentou o Bolsa Família, escorado em uma tempestade de números de pessoas que transitaram de uma classe a outra como se tivessem pegado um elevador rumo ao bem-estar social. Casada a esta iniciativa, falou do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), menina dos olhos do Planalto e apresentado com o nome de batismo de Dilma, e da exploração do petróleo da camada pré-sal.

Sem se ater aos detalhes, aliás, o diabo está nos detalhes mesmo, o Presidente não lembrou de se referir a estranha base de cálculos utilizada nas pesquisas e estudos dos órgãos federais, que estabelecem o valor de R$ 4 mil e alguns eletrodomésticos como elementos suficientes para inserir uma família na classe B ou até na A. Muito menos suavizou o próprio ânimo de salvação nacional a nascer com o recurso do combustível fóssil, apesar do impacto ambiental e do desastre em potencial - como o enfrentado no Golfo do México pelos Estados Unidos, uma mancha de óleo do tamanho do estado do Rio de Janeiro.

A atitude adotada pelo Presidente no pronunciamento é de alegoria sem harmonia, fere a inteligência e o bom senso do cidadão e da cidadã, ainda que busque afetuosamente chamar de meu amigo e minha amiga. Para fazer lembrar ao povo daquilo que ameaçaria os programas do governo caso a sombra da oposição engula a pré-candidata do PT, a cantilena presidencial nem precisou a citar nominalmente a petista. A contragosto do interesse público, a presença de Lula em rede nacional anuncia que as campanhas dos presidenciáveis será como as de outros carnavais, tocadas em tom de baixaria.

0 reflexões: