segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Festa onde há luto

Estive em Brasília na primeira semana de junho, aprendi bastante sobre funcionamento das Casas Legislativas (Câmara dos Deputados e Senado). Nos corredores do Congresso, a jovem democracia brasileira é discutida a todo instante. Há muitas pessoas engajadas em fazer um Brasil melhor.

Além de ampliar meus conhecimentos de política, tive contato com a família Souza - sobrenome muito próximo ao meu (assim como alguns detalhes da convivência, em uma proporção bem diferenciada, porém). Eles moram na curva da rua que está bem próxima a garagem do Senado no Setor de Garagem Oficial.

Maria do Socorro Souza, 37, falou sobre os sete filhos e de como sobrevive. Os papéis espalhados no chão ao redor do barraco improvisado denunciava antes que relatasse qualquer pormenor. Com ela estavam o pai Rosivaldo, a mãe Francisca, a irmã Rosivania e dois enteados. Um deles era uma criança que engatinhava sobre os materiais separados para reciclagem. O menino deve ter por volta de, no máximo, um ano de idade.

Maria diz que está há 20 anos em Brasília e que a vida é difícil para eles. "O governo não ajuda, sabe?" Eu sabia. Só não tinha ideia - como ela também à época -, que José Arruda, Leonardo Prudente, entre outros, estavam dividindo o Panetone - e a casa dela.

Foto: Família Souza sobrevive de coleta seletiva e moram a poucos metros do Setor de Garagens em Brasília
(Chico Junior)