(Conto – Parte 2 de 2)
(Continuação)
Me lancei sobre o banco. Só eu e o banco. Nem relógio nem livro nem nada que pudesse me atrapalhar, muito embora não sei em que ou o que me atrapalharia.
O banco era de madeira, não sei qual tipo de madeira. Era madeira escura, marrom. Os detalhes dos pés eram brancos, de ferro – estavam desgastados pelo tempo, pela chuva. Não sei quem o pôs ali. Mas estavam lá. Estava esperando por mim. E naquele banco eu comecei a sentar e a ver a vida passar. A vida de outros e a minha. Era um banco. Era a vida... E eu. Já era a décima vez.
No começo, eu não pensava em nada. Apenas observava, apenas olhava, apenas via. Sem entender, sem pensar, sem imaginar por que pessoas iam e vinham, por que gatos corriam atrás de pássaros, por que cachorros latiam, por que carros desciam e subiam, por que tinha dia que era frio e noutro era calor, por que tinha dia que havia mais pessoas outros nem tanto. Eu apenas estava ali. Me gastando e deixando me gastar. Era minha vida. Já era a décima vez.
Um dia percebi que a solidão me bateu. Eu estava no banco. Os carros iam e vinham. As pessoas subiam e desciam. Os cachorros, os pássaros, os gatos faziam seus ruídos junto ao farfalhar das folhas das árvores incitadas pelos ventos. Não havia sol. Ele estava escondido por trás de nuvens. E eu me senti só. E estava só... e já era a décima vez.
(Continuação)
Me lancei sobre o banco. Só eu e o banco. Nem relógio nem livro nem nada que pudesse me atrapalhar, muito embora não sei em que ou o que me atrapalharia.O banco era de madeira, não sei qual tipo de madeira. Era madeira escura, marrom. Os detalhes dos pés eram brancos, de ferro – estavam desgastados pelo tempo, pela chuva. Não sei quem o pôs ali. Mas estavam lá. Estava esperando por mim. E naquele banco eu comecei a sentar e a ver a vida passar. A vida de outros e a minha. Era um banco. Era a vida... E eu. Já era a décima vez.
No começo, eu não pensava em nada. Apenas observava, apenas olhava, apenas via. Sem entender, sem pensar, sem imaginar por que pessoas iam e vinham, por que gatos corriam atrás de pássaros, por que cachorros latiam, por que carros desciam e subiam, por que tinha dia que era frio e noutro era calor, por que tinha dia que havia mais pessoas outros nem tanto. Eu apenas estava ali. Me gastando e deixando me gastar. Era minha vida. Já era a décima vez.
Um dia percebi que a solidão me bateu. Eu estava no banco. Os carros iam e vinham. As pessoas subiam e desciam. Os cachorros, os pássaros, os gatos faziam seus ruídos junto ao farfalhar das folhas das árvores incitadas pelos ventos. Não havia sol. Ele estava escondido por trás de nuvens. E eu me senti só. E estava só... e já era a décima vez.


