quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Previsão para o ano

O mês de janeiro se foi e, antes de o ano se findar, resolvi preparar esse primeiro texto de 2011 e apontar algumas previsões. 

Ao deixar registradas aqui alguém - eu, por exemplo -, vou poder, digo, poderá alegar que já se havia mencionado o acontecimento de tal situação ou ocasião. Vamos lá então:

1° Política

Haverá um escândalo no mundo político do Brasil que envolverá um grande partido.

2° Celebridade

Uma pessoa muito famosa irá falecer. O País sentirá muito a perda dela.

3° Internacional

O conflito no Oriente Médio se intensificará e as negociações se complicarão.

4° Economia

Graças ao mercado chinês, a maior parcela dos países do mundo vão continuar com suas contas internas equilibradas.

Lançadas as declarações, veremos em que resultará o vaticínio deste blogueiro. Quando passar o carnaval e estivermos às portas de dois dias de feriados seguidos em abril, vamos acompanhars o que o ano, já quase no meio, vai trazer de fato.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Paga antecipada

O Congresso Nacional aprovou nesta semana mais um de seus escandalosos aumentos. Com o número abusivo proveniente de algum cálculo incompreensível, os parlamentares aumentaram seus salários em 62%. Escorados subrepticiamente na Constituição Federal, ampliaram a dívida pública sem apresentar a receita para o gasto.

A desfaçatez está na acintosa estratégia de vir a justificar o pacote de bondade do aumento do salário mínimo em 2011 com o dado por eles a eles mesmos agora em dezembro. Contudo, a base de comparação é espúria. O poder de compra de um parlamentar, que ganha mais de R$ 11 mil, sofre menor impacto que o daquele que recebe R$ 510. Inclusive os números apresentados recentemente pela Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que aponta crescimento na compra de produtos eletrônicos pela classe C, enrustem um perigo.

De acordo com dados do Sistema de Proteção ao Crédito (SPC), a taxa de inadimplência em novembro último foi maior para pequenas dívidas, inferiores a R$ 250 - valor de quase meio salário mínimo federal. Cerca de 78% das novas inscrições de pessoas físicas no SPC estiveram abaixo dessa faixa. Em miúdos, o capital dos mais pobres parece estar se esfarelando em meio a pressão dos juros para o mercado consumidor.

Enquanto isso, a onda de microcrédito, filão que alguns bancos têm descoberto e explorado, é mais um atrativo para seus lucros constantes e juros exorbitantes. O ardil armado serve como fantasia para iludir a população de baixa renda com a proposta de ingressar no empresariado.  A contrapartida é que, em caso de a economia perder fôlego, as cobranças serão diluídas por entre os próprios pobres que se autofinanciam.

A síntese é que a população de baixa renda continua a pagar as altas contas da máquina pública, que consome mais de 70% do arrecadado, porém, produzir bem algum.  Além disso, o País precisa de reformas profundas e a mais importante delas é a do caráter dos políticos que representam apenas a si mesmos e ao seus interesses espúrios em vez de servirem aquele que os elegeram, o povo brasileiro. Aliás, tal reforma deve vir do povo, que ainda não prestou a devida atenção a quem tem confiado seu precioso voto.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

(In)conveniente aumento de salário parlamentar

Foi aprovado ontem (15), por deputados federais e senadores aumento de 62% em seus próprios salários. A autorevisão salarial fará os rendimentos sairem dos atuais R$ 16,5 mil para R$ 26,7 mil.

Os senadores paulistas não votaram a favor.

Abaixo a lista dos deputados federais paulistas que apoiaram a proposta:

Abelardo Camarinha (PSB-SP)
Aldo Rebelo (PCdoB-SP)
Antonio Bulhões (PRB-SP)
Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP)
Arnaldo Jardim (PPS-SP)
Beto Mansur (PP-SP)
Carlos Sampaio (PSDB-SP)
Carlos Zarattini (PT-SP)
Celso Russomanno (PP-SP)
Devanir Ribeiro (PT-SP)
Dr. Nechar (PP-SP)
Dr. Ubiali (PSB-SP)
Edson Aparecido (PSDB-SP)
Francisco Rossi (PMDB-SP)
Guilherme Campos (DEM-SP)
Jilmar Tatto (PT-SP)
João Dado (PDT-SP)
Jorginho Maluly (DEM-SP)
José Genoíno (PT-SP)
Lobbe Neto (PSDB-SP)
Marcelo Ortiz (PV-SP)
Milton Monti (PR-SP)
Milton Vieira (DEM-SP)
Nelson Marquezelli (PTB-SP)
Paulo Pereira da Silva (PDT-SP)
Paulo Teixeira (PT-SP)
Renato Amary (PSDB-SP)
Ricardo Tripoli (PSDB-SP)
Roberto Alves (PTB-SP)
Roberto Santiago (PV-SP)
Vanderlei Macris (PSDB-SP)
Vicentinho (PT-SP)
Walter Ihoshi (DEM-SP)
William Woo (PPS-SP)

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Guerra ao terror

Em meu último comentário feito na semana passada para o programa de rádio Revista Everest, abordei a questão atual de violência enfrentada pelo Rio de Janeiro. Ao relatar o confronto entre policiais e bandidos, fiz menção a um provérbio indiano que diz: "em briga de elefantes, quem sofre é a grama" - que no caso, é a população.

A imagem capturada pelo fotógrafo Fernando Bezerra traduz a agonia desesperada das vítimas da loucura urbana que acontece na cidade carioca. Ler o relato de que uma criança de oito anos foi baleada por se recusar a atear fogo a moto é ver a situação absurda vivida no Rio. Dizer que é uma guerra pode ser impreciso, pois as ações chegam a violar até a Convenção de Genebra, que proibe ataques a civis.

O Estado tem por obrigação proteger o cidadão e o seus direitos. Por isso jamais deve enfraquecer ou se deixar intimidar perante a criminalidade. Atos de violência e desumanidade semelhantes, contudo, não devem ser adotados por agentes que buscam estabelecer a ordem e a paz. Passou da hora desta chaga latente no Brasil sofrida na pele no estado Rio de Janeiro deixar de infligir dor a cidadãs e cidadãos, fluminenses, cariocas e brasileiros.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

E nunca antes na história desse País

O Brasil, até a noite de ontem, jamais teve uma mulher no cargo mais alto do Poder Executivo, a Presidência da República. Concebida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a maternidade presidencial de Dilma Rousseff deu à luz a vitória eleitoral da ex-ministra com os votos de mais de 50% da população brasileira. Destaque: Há cerca de dois anos, Dilma era figura desconhecida de grande parcela da população.

Para reflexão de céticos, analistas e jornalistas políticos, o "poste" foi bem eleito com mais de 58 milhões de votos. E como no campo do jornalismo e principalmente na área de política o que vale é boa memória, a questão de que Dilma era desconhecida por grande parte da população brasileira foi registrada por este blog em 2008. No dia 15/12, com o título "Pesquisa apaga Dilma", o texto trazia os seguintes dizeres:

"...a pesquisa indica que 47,8%, não conhecem ou sequer ouviram falar da ministra da Casa Civil Dilma Rousseff. O número dos que apenas ouviram algo sobre ela está em 30%. Os entrevistados que afirmaram conhecê-la ficou em 19,9%" - observe que a foto é a de antes da transformação para presidenciável pela qual ela passou tempos depois.

Retirados preconceitos e absurdos da campanha eleitoral e da mentalidade de algumas pessoas, a presidente eleita terá desafio semelhante ao enfrentado por Lula em seu primeiro mandato. Dilma será perseguida como uma sombra para a necessidade de provar que pode fazer o que nunca foi feito - ou, pela avaliação petista, dar continuidade ao que nunca tinha sido feito antes.

A trajetória do retirante e metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva foi visto algo novo e anuncio de esperança para as classes menos favorecidas. O povo ousou acreditar que a esperança vencia o medo - conforme a frase da campanha petista. Passados oito anos do governo de Lula, a expectativa da população é outra. Ela reside no desejo de que tudo seja lindo à imagem e semelhança dos projetos políticos para o Brasil declarados durante o horário eleitoral.